A Matriz Computacional

Como post inaugural, vou começar exatamente com a ideia que me deu a vontade de criar esse blog. Também tem uma certa importância pra mim por causa de algumas experiências que vivi durante o ano de 2016 que incluem ter assistido aos 3 filmes de Matrix. É basicamente uma interpretação possível que achei para esses filmes, pelo menos o primeiro (e talvez o segundo) que gostaria de expor para iniciar a dissertação. Não se prendam aos fatos ou à qualidade linguística desse texto, visto que é mais um devaneio mesmo e não uma opinião bem formada, discutida ou sequer estudada extensivamente.


O Neo está vivendo uma vida chata em seu emprego de Analista de Sistemas, lidando com problemas fáceis, talvez por isso entediantes, e quando entra na sua vida noturna de hacker faz o que realmente gosta. Começa a imaginar um mundo completamente diferente, onde luta contra máquinas que já dominaram o mundo real e estão tentando terminar de exterminar a humanidade. Esse é um futuro apocalíptico onde as máquinas já ultrapassaram a própria capacidade humana de controlar o mundo, e é inclusive uma materialização pra uma das vertentes Aceleracionistas* que eu diria ser de direita. Mas não é só esse o ponto, quero chegar em qual é realmente o futuro que a humanidade está destinada com esse boom tecnológico que vivemos.

A maioria das obras de ficção futurista da atualidade focam principalmente na vertente de direita do futuro tecnológico. Seja Black Mirror, Exterminador do Futuro, Eu Robô, Westworld ou Blade Runner, todos parecem enxergar com extremo pessimismo a situação que estamos vivendo e onde vamos chegar. Já a variação de esquerda, como sempre, parece mais impossível ou talvez até entediante, de forma que vemos poucas estórias baseadas nisso (quem conhecer alguma pode sugerir). Ou será que é assim simplesmente porque as obras de ficção, afinal, vão sempre querer representar algo diferente da nossa realidade?

Daí dá pra se tirar minha opinião. Estamos destinados a um futuro mais utópico e não tão apocalíptico, onde as máquinas não irão ultrapassar e dominar a humanidade mas na verdade se agregar e crescer ao seu lado. Digo isso não só por esperança no futuro mas até por coisas que vejo no mundo real que muitos insistem em encontrar intenções ruins derivantes. Ou nem param por aí, mas tentam mesmo bloquear a expansão de ideias ou coisas que muito provavelmente teriam uma utilidade positiva considerando-se a população geral.

Exemplos disso? Quando o Google ou o Facebook tentam fornecer produtos gratuitos para todas as pessoas em troca apenas de alguns anúncios nos cantos das páginas, que cada um só utiliza quando quiser. Existem práticas duvidosas em ambas as empresas, como monitorar o seu tráfego mesmo quando fora de seus sites, mas o bem que trazem mais que compensa esses males e riscos. Outro exemplo é o Uber, que chegou para revolucionar a indústria de transportes privados mas mesmo assim muitos insistem em impedir sua expansão, quando claramente traria um sistema melhor para todos (o único problema por ora é a falta de concorrência).

Do Uber ainda tiramos o modelo quase ideal que acredito levar a sociedade a um futuro quase que utópico, onde não teremos mais empresas, não teremos mais empregos, não teremos mais pessoas sendo injustiçadas pelo esforço que realmente dedicam às outras. Nesse futuro, as atividades que cada um desempenha, que não sejam para si mesmos, poderão ser mensuradas e avaliadas de acordo com quanto realmente se dediquem e quanto realmente sejam bons naquilo. Deixo aqui um espaço para que você mesmo pense nessa idéia.

community-group
“Vamos todos dirigir Uber e se levar pros cantos”

Esse é um futuro que na verdade não acredito ser possível, mas acredito que o Capitalismo em si possa transcender com a humanidade e a tecnologia e chegar cada vez mais próximo dele. Para o futuro utópico seria necessário ainda:

  • Soluções como o Uber para diversas outras áreas de trabalho humano (até mesmo Medicina e Direito);
  • Todo o software, e até hardware, aberto;
  • Distribuição de um salário base fixo de acordo com o que as máquinas nos produzam de graça (energia solar, funcionamento autônomo);
  • Remuneração adicional apenas por essas Soluções, capazes de pagar exatamente quanto o trabalho de alguém valha para outros;
  • Inexistência de Governos e empresas como conhecemos hoje.

Mas aí talvez eu já esteja sonhando demais.


Estou aberto a qualquer tipo de discussão ou feedback sobre o assunto, sejam públicos aqui nos comentários, privados por qualquer tipo de mensageiro, e-mail, carta, sinal de fumaça… Só se assegurem que eu esteja vendo, caso esteja convidado! Saudações.

* Os termos foram utilizados no contexto de um Aceleracionismo generalizado, não focado exclusivamente nas implicações sócio-econômicas. Nesse contexto, em poucas palavras, a esquerda é utópica e a direita apocalíptica.

Read this text in English.

5 thoughts on “A Matriz Computacional

  1. A verdade quanto a questão da ficção científica e pq eles sempre seguem as vertentes apocalípticas. Tem haver com drama, escrever um livro sobre uma sociedade utópica é muito mais difícil de prender o interesse do leitor do que fazendo o mesmo com uma terra no limite do precipício. Pelo menos em minha opinião, curti a analise de Matrix, n tinha pensado em vê-lo como um analista que se torna hacker e por isso tenta justificar os atos que faz, afinal nunca somos os vilões de nossas histórias.
    Porém, e acho que tenho que fazer essa ressalva, no quesito de I.A. acredito que um futuro apocaliptico seja possível embora não acredita que exista a tendência para que isso ocorra, tudo vai depender de quem ensinar a I.A. em questão sua ética, considerando o que já aconteceu com exemplos atuais em que ao ser constantemente bombardeada com comentários racistas a I.A. passou a repeti-los e embora sabemos que ao fazer isso ela não compreenda o contexto ético social dos seus comentários, do mesmo modo que uma pessoa pode passar a acreditar que não há nada de errado em ser racista uma I.A. desenvolvida por humanos para se assemelhar a humanos poderia adquirir os mesmos preconceitos de um humano não?

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    1. Concordo quanto à questão da ficção científica, e isso que quis dizer quando falei que a vertente de esquerda é mais entediante!

      Quanto às inteligências artificiais, acredito que nunca chegaríamos a dar real poder de tomada de decisões à uma tão tosca quanto aquela que se tornou racista hahaha. Os princípios morais/éticos teriam que ser “hard-coded” em seus algoritmos (como espécies de filtros de ações), ou até mesmo modeladas por outra I.A. de forma que pudesse se adaptar, mas tomando como base ainda algum tipo de função de utilidade generalizada e que considere apenas os humanos. De fato, o problema surgiria quando algum incompetente fizesse a máquina considerar sua própria utilidade (ou de outras máquinas) na hora de tomar uma decisão. Digo incompetente, pois acredito que seria realmente um erro e não uma intenção ruim de fato (se houver intenção ruim existem jeitos mais fáceis de matar pessoas).

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      1. Mas ai que adentra o problema que seria o avanço, por enquanto I.A.s particularmente avançadas não são algo banal, são extremamente caras de se desenvolver e de se manter, requisitam hardware avançado. Mas a medida que a tecnologia avança, e nisso eu foco no hardware e software de P.C. vemos que os preços ficam cada vez mais acessáveis, e códigos que antes eram incrivelmente complexos atualmente não se comparam aos que são desenvolvidos. O problema não é, pelo menos ao meu ver, as supervisionadas, criadas por companhias que no primeiro sinal de problema as desativariam, mas sim quando se banalizar, é fácil fiscalizar o esperado o problema é quando você não antecipa a origem, mas eu concordo com você, acredito que salvo uma situação de extrema necessidade eu não vejo o desenvolvimento de uma I.A. com acesso e enfoque a algo perigoso.
        Concordo que existem outros modos mais fáceis, mas numa escala grande, por exemplo com relação a bolsas de valores, uma I.A. feita para prever e reagir as oscilações de preços numa bolsa de valores poderia gerar uma instabilidade tremenda e matar muita gente, mesmo sem ter sido feita para matar pessoas.

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